Era um dia qualquer do mês de agosto ou setembro de 2008; havia um pequeno grupo de jovens (todos eles estudantes de filosofia) sentados à mesa de uma barraquinha de lanches nos arredores da UFPE (por trás do imenso e mal conservado prédio do CFCH) e um deles, Gustavo (vulgo índio) comunicou-lhes uma idéia: o projeto duma revista para movimentar a comunidade acadêmica, mas não só ela; uma revista destinada ao diálogo entre o maior número possível de interlocutores (sendo importante não só a quantidade de colaboradores e leitores, mas também a sua diversidade). Assim nasceu a presente revista e tive eu o privilégio de estar presente no momento em que a semente foi plantada, bem como o prazer de acompanhar a sua gestação.
Como o intuito deste texto é ser breve (servindo de complemento ao belo editorial escrito pelo colega acima citado), cabe encerra-lo mencionando em poucas palavras o que seria para mim a idéia básica da revista e não há melhor forma de fazê-lo, penso eu, senão apontando alguns dos nomes sugeridos para batizá-la: travessia, correnteza, devir (termo filosófico que significa vir-a-ser, ou seja, algo que não é de maneira fixa, definitiva, imutável, mas que está sendo, que se está construindo, modificando, algo em aberto, dinâmico, em constante mudança).
Outra noção bastante cara ao grupo é a de antropofagia e uma das sugestões de nome foi banquete antropofágico. Remetendo diretamente a Oswald de Andrade, almejamos devorar a cultura estrangeira e nos nutrirmos dela, sem, contudo, adotarmos uma dieta unilateral; faz-se necessário, fundamental, indispensável que pensemos com nossa própria cabeça, que procuremos nos servir da base cultural estrangeira para criarmos algo novo ao invés de nos limitarmos a copiar o que vem de fora adotando uma racionalidade submissa. A racionalidade, no meu entender, deve ser isso sim, crítica e questionadora.
Finalizo (dessa vez é sério) minha singela contribuição conclamando os leitores a abandonarem o saudosismo cultural; nem só de Bossa Nova, Tropicália, Machado de Assis, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr., Sociólogos da USP vive o Brasil (fique claro: não estou negando a importância fundamental destes verdadeiros medalhões da cultura brasileira, mas tão somente chamando atenção para nomes que surgiram recentemente ou já há algum tempo e se mantém na ativa). Eis alguns destes exemplos: Cordel do fogo encantado, Los Hermanos, O teatro mágico, Vitor Araújo, Luiz Fernando Carvalho, Sérgio Paulo Rouanet, Selton Melo, João Ubaldo Ribeiro, Movimento Mangue Beat...
Alberto Bezerra

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